A Odele, mãe de Flavia, que relata a vida de sua filha que está em coma (AQUI)
convocou uma mobilização para hoje, dia 15/09. O caso está para ser julgado em Brasília
De uma canção do Zeca para um encontro de Amigos. Que têm vindo, aos poucos. Mas bons. E continua o convite: VENHAM MAIS CINCO, VENHAM MAIS DEZ...
é com o silêncio que as mulheres tecem
as roupas do mundo.
o fuso e a roca eram só instrumentos
(uma quase justificação)
as vestes são tecidas com o silêncio
com o sangue dos olhos
com as lágrimas dos dedos.
com o silêncio e no silêncio as mulheres tecem
longas vestes
enormes tapetes e carpetes
belas e luxuriantes cortinas.
com tudo o que tece, silenciosamente,
a mulher do mundo tenta tapar
os buracos
tenta estancar o sangue
que corre copiosamente.
[TMara] PAULINO, Conceição.1993. AS TAREFAS TRANSPARENTES.Lisboa: edição SOL XXI: 52
Protector solar*
Como se faltasse o pão para as bocas .... como se os sonhos se esboroassem se os não agarrarmos.... como se a avalanche não pudesse ser detida se um dique de palavras não for construído por todos os que as amam - os grandes artistas da palavra e nós outros. meros amantes delas.
homem de intervenção cívica diária, poeta, e homem de cultura e solidariedade activa que, mal regressado de ferias, apesar de estar, como José António Barreiros, atascado em trabalho também disse: CONTEM COMIGO.
Há uma dor que me começa nos olhos, alastrando a todo o ser. ao corpo. à mente. à alma...
Cada vez mais esta dor me entra pelos olhos.
Na vida do dia a dia, na leitura dos jornais, no visionamento dos média...
A violência no mundo.
Sobre todos. Sobre países, povos, raças, etnias, minorias - orientação sexual, idosos, crianças e entre elas as mulheres.
A estranheza invade-me cada vez mais. É cada vez mais estranho e doloroso o olhar sobre o mundo.
As nascentes da violência…
Li, há tempos, algo que me deixou maravilhada pelo respeito e amor implícitos.
Entre os índios Hopis* se numa aula um aluno interpelado pelo professor não soubesse responder à questão nenhum outro aluno levantava o braço para responder, destacando-se assim. Tal acto seria considerado incivilizado.
Sem nos apercebermos o próprio sistema de ensino inculca, desde os primórdios, a competição, o atropelo e a humilhação dos que não sabem, dos que se não enquadram no padrão.
É, em si, para além de um potencial gerador de violência futura, pelos valores que veicula e inculca (competição, passar por cima do outro, etc) um motor de exclusão a muito curto prazo.
As sementes da violência são também semeadas com esta (nossa) cultura.
Se queremos viver em harmonia temos que mudar as práticas. Os actos do quotidiano.
Estes deverão ser marcadas pela gentileza, pela compreensão, pela não-violência, pela dignidade e pelo respeito por todos e tudo.
Enquanto cidadãos anónimos, não dispondo de oportunidades para realizar grandes obras podemos sempre realizar pequenas obras, mas de uma grande maneira. Isto é, marcadas pelo amor incondicional.
